A falta que faz o talento

futebol Victor Guedes

A qualidade dos jogos no Brasil estão deixando muito a desejar e isso não é novidade pra ninguém, mesmo antes da paralisação por conta da pandemia. O problema é que quando olhamos mais a fundo, identificamos erros bizarros de fundamento do esporte a desconhecimento das regras  por parte dos jogadores profissionais, esses erros além de tudo tem sido muito agravados pela ausência de torcedores nos estádios.

A muito tempo a mágica dos estádios está no ambiente criado pela torcida e a forma como as torcidas são capazes de reerguer times desenganados, principalmente em casos de fuga do rebaixamento. Temos vários casos onde o ambiente do estádio fez com que um determinado time buscasse forças e superasse suas deficiências técnicas e táticas para manter-se, na maioria dos casos, na elite do futebol.

Mas a pandemia quebrou esse clima e o que sobrou foi a bola pela bola, muitas vezes maltratada pelo jogadores e desrespeitada pelos técnicos. Ao acompanhar o clássico paulista entre São Paulo e Corinthians no ultimo domingo (30) no Morumbi, o desrespeito começou pelo horário determinado pela entidade máxima do futebol no Brasil. “marcar um jogo para 11 horas com 34º C não faz o menor sentido”, posto que a justificativa para jogos matinais de domingo era facilitar a ida do torcedor ao estádio, “então porque fazer um jogo essa hora com portões fechados?”. A seqüência de descaso com nosso futebol seguiu com o “espetáculo” apresentado, um jogo como a maioria dos que temos visto no brasileirão, tirando alguns lapsos de Atlético Mineiro ou Internacional onde o futebol de fato aparece, a maioria dos jogos tem sido assim, truncado, poucas jogadas de efeito e jogadores muito físicos e pouco técnicos.

A estratégia de Thiago Nunes e Fernando Diniz podem até serem genuínas mas esbarram na pressão constante em não perder e isso pode ser o maior vilão de uma ideologia de jogo. No final das contas a maior decepção de fato fica na entrega dentro de campo. O diferencial do São Paulo F.C. nessa ocasião era Hernanes, um jogador que não parece jogador porque não da entrevistas como jogador e muito menos pensa o jogo como jogador (até porque a maioria dos jogadores não pensam o jogo), faz algo fora da caixa e surpreende o excelente goleiro Cássio que na opinião desse que vos escreve é o melhor goleiro atuando no Brasil pois se destaca a muito tempo nesse mar de mediocridade, e quando alguém que não é medíocre o enfrenta, acontece o que aconteceu domingo. O jogo seguiu arrastado e nos acréscimos do primeiro tempo  Ramiro empatou, para nos acréscimos do segundo tempo Brenner com assistência de Toró desempatar e dar a vitória para o tricolor.

O jogo em si foi emocionante porque o futebol é emocionante, principalmente com lances decisivos nos minutos finais. Mas atualmente ao assistir o futebol brasileiro eu sinto uma preocupação genuína em como estamos cuidando do espetáculo, pois se algo é emocionante ele entretém as pessoas e se entretém as pessoas é um entretenimento, esse produto chamado entretenimento depende de muitos fatores para prosperar , temos exemplos no mundo todo em como cultivar esses fatores de prosperidade, mas parece que estamos fazendo ao contrario. Desde lances claros que o VAR não vê até jogador com experiência internacional agredindo covardemente pelas costas um atleta, recém promovido das categorias de base, e isso não resultar em nada dentro do campo.

Essa é a nossa realidade e nós como consumidores desse produto temos o dever de cobrar dos gerentes de produção (clubes e federação) um maior cuidado e carinho na entrega do entretenimento. Estamos sendo desrespeitados e não fico preocupado por mim que sou apaixonado pelo esporte e independente do conteúdo apresentado eu continuarei consumindo futebol. Minha preocupação maior é com a concorrência que  a anos seduz nossas crianças e a afasta de nossa paixão, ou você acha que um garoto de 13 anos com acesso ao Fortinite vai perder o tempo dele assistindo Palmeiras x Bahia?

Por: Victor Guedes

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